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Escrito por Otoniel Oliveira
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Dom, 14 de Fevereiro de 2010 15:52 |
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Durante a Feira do Livro de 2009 tive a chance de além de rever o meu grande amigo Sidney Gusman, ainda conhecer o mestre Maurício de Sousa. O Maurício, como sempre falo nas aulas e pude dizer-lhe pessoalmente desta vez, é uma grande referencia e espelho pra toda uma geração de artistas que trabalham com quadrinhos. É claro que sempre tivemos vários artístas extraordinários dos quadrinhos nacionais, como Jayme Cortez, Angeli, Laerte, Ziraldo, e vários outros. Mas o Maurício tem uma postura bem própria e especial para servir de exemplo, além de ser um artista talentoso ele é um empreendedor no mercado.
Ele, assim como o Osamu Tezuka ou o Walt Disney, é um empreendedor que além de fazer quadrinhos bem construídos, ousados e inspirados, como se pode ver em sua coletânea de tiras, ainda erigiu uma empresa saudável para gerenciar e licenciar suas criações. Se no Brasil temos um respeito pelos quadrinhos fora do nicho eminentemente interessado pela Arte Sequencial é em grande parte por culpa do Maurício.
E eis que durante o primeiro dos dois jantares que tive com ele, no segundo eu o copiei e pedi um espaguete, eu lhe falei que quando era pequeno, tinha lindo em uma revista da Turma que ele fez uma brincadeira de desenhar em um lado o rosto do personagem e no outro lado do copo os olhos, ele dava pros filhos e ao girarem se via os olhos se movendo e o personagem ganhando vida.
Ele aproveitou que tinha umas taças na mesa desenhou em uma uma Mônica e seus dois olhos. “Fixe-se no rosto” ele disse, eu eu fechei um dos meus olhos e vi de certa forma os olhinhos da mônica duplicados. “O que você tá vendo” ele perguntou. “Quatro olhos, eu disse hesitante” Isso ele concluiu enquanto pegava outra taça e fazia um Cebolinha, desta fez com apenas um pontinho de olho do outro lado do copo.
Genial, eu pensei, mas me comedi. Durante o resto do jantar fiquei namorando aquelas taças e mesmo quando veio o Ariano Suassuna que também fora convidado pela feira do livro eu ainda ficava sem tirar os olhos das taças. No final do jantar empurrei o demoninho que me mandava roubá-las e decidi pedir ao garçom se podia compra-las.
“De jeito nenhum”, ele disse. As taças não podem sair daqui. “Mas foram desenhadas pelo Maurício”, eu argumentei. “Agora menos ainda”, ele reiterou com um sorriso. Desolado, ainda tentei falar com a gerente, que reforçou o argumento do garçom. Mas quando tudo parecia perdido, o Maurício deu uma piscadela, disse pra que eu esperasse um pouco e voltou para o salão. Conversou com alguns funcionários lá dentro e voltou com as duas taças na mão pra me entregar, sem antes deixar de assiná-las.
Tenho agora com muito orgulho memorabilias que ninguém mais tem no mundo.
Durante a Feira do Livro de 2009 tive o prazer de, além de rever o meu grande amigo Sidney Gusman, ainda conhecer o mestre Maurício de Sousa. O Maurício, como sempre falo nas aulas e pude dizer-lhe pessoalmente desta vez, é uma grande referencia e espelho pra toda uma geração de artistas que trabalham com quadrinhos. É claro que sempre tivemos vários artístas extraordinários dos quadrinhos nacionais, como Jayme Cortez, Angeli, Laerte, Ziraldo, e vários outros. Mas o Maurício tem uma postura bem própria e especial para servir de exemplo, além de ser um artista talentoso ele é um empreendedor no mercado.
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Escrito por Otoniel Oliveira
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Qua, 11 de Novembro de 2009 08:23 |
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Anteontem passou um filme com a Helena Rinaldi, uma mulher linda. Bodas de Papel, um filme chato. Meio piegas, meio romântico, talvez eu esteja sendo cruel, mas acho que não estava no clima pra assistir um romance, estava arrumando a casa na madrugada, como as vezes acontece. Mas uma coisa legal no começo do filme foi Serendipidade.
No começo do filme a personagem da Rinaldi fala sobre esta palavra inventada por um escritor, o Horace Walpole, Serendipity, que significa uma descoberta muito boa de uma coisa que não se esperava.
Apesar de como visto na Wikipédia ter-se várias formas diferentes pra essa descoberta inusitada e positiva, o filme vai mais pro lance do amor, que nem o Serendipity americano, filme com o John Cusack chamado aqui no Brasil de Escrito Nas Estrelas. Esse eu nem vi. Coisas do cinema.
Eu prefiro, no entanto, a versão mais ampla destas boas descobertas, como os príncipes do Sri Lanka e o Green Day.
Anteontem passou um filme com a Helena Rinaldi, uma mulher linda. Bodas de Papel, um filme chato. Meio piegas, meio romântico, talvez eu esteja sendo cruel, mas acho que não estava no clima pra assistir um romance, estava arrumando a casa na madrugada, como as vezes acontece. Mas uma coisa legal no começo do filme foi Serendipidade.
No começo do filme a personagem da Rinaldi fala sobre esta palavra inventada por um escritor, o Horace Walpole, serendipity, que significa uma descoberta muito boa de uma coisa que não se esperava.
Apesar de como visto na Wikipédia ter-se várias formas diferentes pra essa descoberta inusitada e positiva, o filme vai mais pro lance do amor, que nem o Serendipity americano, filme com o John Cusack chamado aqui no Brasil de Escrito Nas Estrelas. Esse eu nem vi. Coisas do cinema.
Eu prefiro, no entanto, a versão mais ampla destas boas descobertas, como os príncipes do Sri Lanka e o Green Day.
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Quadrinhos (só) para crianças? |
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Escrito por Otoniel Oliveira
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Seg, 26 de Fevereiro de 2007 21:00 |
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No meio de janeiro ligou pra mim uma repórter de um jornal local querendo saber se conhecia alguma criança que fazia quadrinhos. Ela tinha uma pauta sobre o tema pra sair no caderno infantil no dia dos quadrinhos, dia 30 de janeiro. Por mais que tenha tentado explicadar que a maioria dos alunos que tive no Curro Velho e logicamente todos os alunos que tenho na Faculdade de comunicação não são mais crianças, mas mesmo assim lêem, fazem e estudam quadrinhos, a repórter estava decidida a focar a matéria no público infantil. “Desculpe, mas não conheço nenhuma criança que faça quadrinhos aqui em Belém, em Macapá eu tenho um sobrinho de nove anos que desenha, mas aqui não conheço mesmo.” Ela desligou triste e deu o jeito dela de outra forma, e eu, depois da conversa, fiquei angustiado por dois motivos. O primeiro é o fato de profissionais que deviam ser esclarecidas sobre os diversos caminhos artísticos como os jornalistas, não saberem sobre o potencial expressivo dos quadrinhos e lhes restringirem um pensamento de que ele só é adequado à linguagem do universo infantil. É claro que a arte seqüencial é uma linguagem para crianças, mas é de uma absurda, digamos, estupidez, achar que é só para crianças. Outro motivo foi que eu só conheço adolescentes e adultos que lêem quadrinhos em Belém, pois creio que se sugerisse pra ela um colecionador infantil ela poderia satisfazer os anseios do jornal. É claro que eu sempre que posso presenteio com turmas de Mônica e Witchs a minha sobrinha e meu afilhado daqui, mas eles estão longe de serem leitores contumazes. E ler quadrinhos é essencial para se poder produzir quadrinhos. |
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